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Anvisa e FMUSP assinam convênio sobre rastreabilidade

A Anvisa e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) firmaram convênio, nesta quarta-feira (19/04), no valor de R$ 5 milhões, para o desenvolvimento de um projeto-piloto de rastreabilidade de medicamentos, dentro das ações de normatização e implantação, no Brasil, do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM). O objetivo do SNCM é garantir a segurança de pacientes em relação aos remédios que consomem e a qualidade dos produtos em todas as suas etapas, além de evitar fraudes, roubos de medicamentos e sonegações.

 

O projeto-piloto vai acompanhar, durante um ano, a cadeia de produção, distribuição e dispensação de medicamentos em locais pré-determinados. Ao final, os resultados desse acompanhamento passarão por análises. "Serão escolhidas determinadas fábricas e distribuidoras, farmácias e redes de farmácias, secretarias municipais e estaduais de saúde, além de hospitais, para fazer parte do projeto-piloto.  Ao final de um ano, faremos a avaliação dos resultados e realizaremos os ajustes que forem necessários na regulamentação do SNCM. A partir do final da análise do projeto-piloto, teremos três anos para implantar o sistema", explica o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa.

 

No Hospital das Clínicas da FMUSP, maior complexo hospitalar da América Latina, será possível acompanhar todos os passos do medicamento, desde a produção, passando pelo recebimento no centro de logística, transporte e divisão entre os institutos, até a entrega a cada um dos pacientes. A partir desse modelo, será possível ampliá-lo como referência para todo o Brasil.

 

Participaram da assinatura do convênio, além de Jarbas Barbosa, o professor José Otávio Auler Costa Junior, diretor da FMUSP, Antônio José Rodrigues Pereira, superintendente do Hospital das Clínicas, Giovanni Guido Cerri, diretor do Centro de Inovação do HC, Flávio Fava de Moraes, diretor geral da Fundação Faculdade de Medicina, Joaquim Roberto Fernandes, analista de programa do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), e o professor Eduardo Mario Dias, professor da Escola Politécnica.

 

"Essa parceria significa que a Anvisa vai poder contar com a expertise da Faculdade de Medicina da USP no desenvolvimento de um sistema complexo, o SNCM, que vai permitir com que toda a cadeia de produção, distribuição e dispensação de medicamentos passe a ser rastreada, aumentando a segurança do paciente, a qualidade e a garantia de que aquele medicamento comprado na farmácia ou distribuído num posto de saúde do SUS não foi falsificado, roubado ou produto de fraude", observa Jarbas Barbosa.

 

"É uma tendência mundial e vários países estão buscando desenvolver seus sistemas de rastreabilidade de medicamentos. O Brasil, até para cumprir a lei que temos, vai ser um dos primeiros países a desenvolver esse sistema".

Começa nesta segunda a Campanha Nacional de Vacinação contra gripe

Serão vacinados 54,2 milhões de pessoas em todo o país. A partir deste ano, professores das redes pública e privada passam a integrar o público-alvo. No dia 13 de maio será a mobilização nacional

A 19ª Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza deste ano começou nesta segunda-feira (17) com uma novidade: a partir de agora, os professores, tanto da rede pública como privada, passam a fazer parte do público-alvo. Cerca de 2,3 milhões de profissionais da educação poderão se vacinar contra a gripe. Ao todo, receberão a vacina 54,2 milhões de pessoas que integram os grupos prioritários. Para isso, o Ministério da Saúde está adquirindo 60 milhões de doses da vacina. A campanha seguirá em todo o país até 26 de maio, sendo que dia 13 será de mobilização nacional.

Nesta segunda-feira (17), o ministro da Saúde, Ricardo Barros, alertou sobre a importância das pessoas, que integram o grupo prioritário, tomarem a vacina dentro do prazo de vacinação, para evitar a gripe e seus possíveis agravamentos. “Faço um apelo às pessoas do público-alvo que busquem o quanto antes os postos de vacinação para garantir a proteção contra a gripe”, aconselhou o ministro.  

Confira a apresentação

Durante o lançamento da campanha de vacinação, na última quinta-feira (13), em Brasília, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, informou que a Pasta, em parceria com o Ministério da Educação, realizará, a vacinação dos professores nas escolas públicas e privadas de todo o país, nos dias 2 e 3 de maio. “Pela primeira vez, o Brasil está vacinando os professores contra a influenza. Estamos atendendo a uma solicitação constante desses profissionais de serem incluídos no grupo prioritário da vacinação. São profissionais que têm contato com dezenas de alunos diariamente, ficando expostos à contaminação”, ressaltou o ministro. Ele explicou que  a ação ocorrerá no âmbito do Programa Saúde na Escola, que prevê o acompanhamento e regularização das coberturas vacinais da população.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde também lançou companha publicitária com o slogan “Vacine-se. Deixe a gripe pra lá”, tendo como padrinho o sambista Martinho da Vila. A estratégia de mobilização para todo o país, que será executada em parceria com estados e municípios.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, Carla Domingues, fez um alerta à população para que não se vacine em cima da hora. “Muitas vezes, as pessoas só buscam a vacina quando há registro de um número elevado de casos. Por isso, é importante que todos os grupos definidos busquem esta proteção dentro do prazo preconizado pelo Ministério da Saúde. É preciso que todos estejam devidamente protegidos antes do inverno chegar, já que a vacina precisa de 15 dias para garantir o efeito”, observou Carla Domingues.

O objetivo do Ministério da Saúde é vacinar 90% desta população, considerada de risco para complicações por gripe. A meta de vacinação deste ano aumentou devido aos índices alcançados nos últimos anos, que ultrapassaram 80%. Em 2016, inclusive, foi o primeiro ano que este índice ultrapassou 90%, atingindo 93,5% de cobertura vacinal.

Integram o público-alvo da campanha, pessoas a partir de 60 anos, crianças de seis meses a menores de cinco anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias), trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas - e os funcionários do sistema prisional.

Os portadores de doenças crônicas não transmissíveis, que inclui pessoas com deficiências específicas, também devem se vacinar. Para esse grupo não há meta específica de vacinação. Este público deve apresentar prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) deverão se dirigir aos postos em que estão registrados para receberem a vacina, sem a necessidade de prescrição médica.

A escolha dos grupos prioritários segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa definição também é respaldada por estudos epidemiológicos e pela observação do comportamento das infecções respiratórias, que têm como principal agente os vírus da gripe. São priorizados os grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias.

DIA D - As doses adquiridas pelo Ministério da Saúde já estão sendo distribuição aos estados que, por sua vez, têm a responsabilidade de repassar aos municípios para a realização da campanha. Para o início desta mobilização, já foram enviadas aos estados 21,1 milhões que corresponde a 35% do total de 60 milhões. Mais cinco remessas de doses já estão programadas para o envio até o dia 19 de maio, totalizando 100%. No dia de mobilização nacional, 65 mil postos de vacinação, com envolvimento de 240 mil pessoas, estarão abertos em todo o país. Também estarão disponíveis, para a mobilização, 27 mil veículos terrestres, marítimos e fluviais.

A vacina contra gripe é segura e reduz as complicações que podem produzir casos graves da doença, internações ou, até mesmo, óbitos. Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza. A vacina protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul, de acordo com determinação da OMS (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). Neste ano, houve mudança na cepa do vírus A H1N1 para A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09. Desde 2009, a cepa do vírus A H1N1 utilizada nos países a sul da linha do Equador era A/California/7/2009 (H1N1) pdm09.

CAMPANHA – Neste ano, a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza terá como padrinho, o sambista Martinho da Vila, que vai convocar todos os públicos a se vacinarem, em especial os idosos. A campanha publicitária começa ser veiculada no próximo domingo (16) e continua no ar até o último dia da campanha, 26 de maio.

Em versos que falam que “a vida vai melhorar, se você se vacinar”, o sambista faz um convite para “deixar a gripe pra lá”. A campanha publicitária será exibida em TV aberta, rádio, nos meios impresso (jornais e revistas), mídia exterior (busdoor, placas em ruas e avenidas, abrigo de ônibus, metrô), no meio online (internet e com ações nas redes sociais).

PREVENÇÃO - A transmissão dos vírus influenza acontece por meio do contato com secreções das vias respiratórias, eliminadas pela pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar. Também ocorre por meio das mãos e objetos contaminados, quando entram em contato com mucosas (boca, olhos, nariz). À população em geral, o Ministério da Saúde orienta a adoção de cuidados simples como medida de prevenção para evitar a doença, como: lavar as mãos várias vezes ao dia; cobrir o nariz e a boca ao tossir e espirrar; evitar tocar o rosto; não compartilhar objetos de uso pessoal; além de evitar locais com aglomeração de pessoas.

É importante lembrar que, mesmo pessoas vacinadas, ao apresentarem os sintomas da gripe - especialmente se são integrantes de grupos mais vulneráveis às complicações - devem procurar, imediatamente, o médico. Os sintomas da gripe são: febre, tosse ou dor na garganta, além de outros, como dor de cabeça, dor muscular e nas articulações. Já o agravamento pode ser identificado por falta de ar, febre por mais de três dias, piora de sintomas gastrointestinais, dor muscular intensa e prostração.

REAÇÃO ADVERSA – Após a aplicação da vacina, podem ocorrer, de forma rara, dor no local da injeção, eritema e enrijecimento. São manifestações consideradas benignas, cujos efeitos costumam passar em 48 horas.  A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. É importante procurar o médico para mais orientações. 

MEDICAMENTO - O uso do antiviral está indicado para todos os casos de síndrome respiratória aguda grave e casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações, de acordo com o Protocolo de Tratamento de Influenza, do Ministério da Saúde de 2015. No caso de pacientes com síndrome gripal, sem condições e fatores de risco para complicações, a prescrição do fosfato de oseltamivir deve ser considerada com base em avaliação clínica. O tratamento deve ser realizado, preferencialmente, nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

Todos os estados estão abastecidos com o medicamento e devem disponibilizá-lo em suas unidades de saúde. Até o início de março deste ano, o Ministério da Saúde enviou às secretarias de saúde dos estados, 793,2 mil unidades Oseltamivir (30 mg) e 3,4 milhões do medicamento de 75 mg.

DADOS 2016 - Até 1º de abril, foram registrados 276 casos de influenza em todo o país e 48 mortes. Do total, 21 foram por H1N1, sendo que seis evoluíram para óbito. Em todo o ano passado, o Ministério da Saúde registrou 12.174 casos de influenza de todos os tipos no Brasil. Deste total, 10.625 foram por influenza A (H1N1), sendo 1.987 óbitos. O Brasil possui uma rede de unidades sentinelas para vigilância da influenza, distribuídas em serviços de saúde de todas as unidades federadas, que monitoram a circulação do vírus influenza por meio de casos de síndrome gripal (SG) e síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

CASOS E ÓBITOS POR SRAG/INFLUENZA NO BRASIL:

ANO

TOTAL SRAG INFLUENZA

 

TOTAL SRAG INFLUENZA H1N1

TOTAL SRAG H3N2

TOTAL SRAG INFLUENZA B

TOTAL SRAG INFLUENZA A NÃO SUBTIPADO

CASOS

ÓBITOS

CASOS

ÓBITOS

CASOS

ÓBITOS

CASOS

ÓBITOS

CASOS

ÓBITOS

2013

5.935

955

3.733

768

669

62

1337

85 

198 

41 

2014

1.794

326

465

163

 1.042

105

190

 24

97

34

2015

1.089

175

141

36

599

75

234

39

 115

25 

2016

12.174

2.220

10.625

1.987

49

10

642

59

858

164

2017*

276

48

21

6

158

20

63

21

34

1

*Dados de 2017 até o dia 1º de abril

 

Público-alvo da campanha de 2017

PÚBLICO-ALVO

ESTIMATIVA

Idosos (maio de 60 anos)

20,8

Crianças (de seis meses a menores de 5 anos)

12,8 milhões

Trabalhadores de saúde

4,6 milhões

Gestantes

2,2 milhões

Puérperas (até 45 dias após o parto)

367,2 mil

Povos indígenas

652,8 mil

População privada de liberdade

680,1 mil

Funcionários do sistema prisional

100,4 mil

Pessoas com comorbidades (diabetes; hipertensão; transplantados)

9,4 milhões

Professores da rede pública e privada

2,3 milhões.

 

Total do público-alvo e doses da vacina por UF

UF

PÚBLICO-ALVO

DOSES VACINA

RO

              388.253

              427.100

AC

              225.135

              247.700

AM

           1.015.103

           1.116.700

RR

              178.189

              196.100

PA

           1.863.160

           2.049.500

AP

              179.350

              197.300

TO

              373.097

              410.500

NORTE

           4.222.287

           4.644.900

MA

           1.694.518

           1.864.000

PI

              803.829

              884.300

CE

           2.212.417

           2.433.700

RN

              863.335

              949.700

PB

           1.069.972

           1.177.000

PE

           2.329.874

           2.562.900

AL

              776.210

              853.900

SE

              509.577

              560.600

BA

           3.623.953

           3.986.400

NORDESTE

         13.883.685

         15.272.500

MG

           5.560.505

           6.116.600

ES

              968.615

           1.065.500

RJ

           4.554.556

           5.010.100

SP

         12.600.363

         13.860.400

SUDESTE

         23.684.039

         26.052.600

PR

           3.163.922

           3.450.700

SC

           1.864.566

           2.051.100

RS

           3.662.611

           4.028.900

SUL

           8.664.099

           9.530.700

MS

              749.529

              824.500

MT

              779.923

              858.000

GO

           1.573.343

           1.730.700

DF

              687.155

              755.900

C.OESTE

           3.789.950

           4.169.100

Brasil

         54.244.059

         59.669.800

Remédios podem ficar até 5% mais caros em abril

Enquanto o preço do combustível dispara nas bombas dos postos de gasolina do Recife, o consumidor se prepara, ainda, para o aumento de valores nos medicamentos. De acordo com o Ministério da Saúde, todos os remédios serão reajustados a partir desta próxima sexta-feira (31). O percentual ainda não foi divulgado, mas muitas farmácias já alertam o consumidor na tentativa de estimular as compras e garantir a venda com valores mais em conta. De acordo com estimativas da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), os produtos devem ficar, em média, 3,4% mais caros.

Na opinião do diretor de acesso da Interfarma, Pedro Bernardo, como o setor de farmácias apresenta alta competitividade, o preço final não deve sofrer muito impacto. “Remédios mais comuns, produzidos por várias indústrias, com muitas opções de genéricos, tem uma margem de reajuste menor por causa da concorrência. Os produtos mais impactados são remédios mais novos. Nesses casos, o aumento chega a até 5%”, explica o diretor de acesso da Interfarma, Pedro Bernardo.

Com o anúncio de preços mais elevados, é comum o consumidor se antecipar e comprar medicamentos em maior quantidade para economizar. A prática, entretanto, merece atenção, conforme destaca o diretor do Conselho Geral de Farmácias de Pernambuco. 

“Se estamos falando de medicamentos para doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, pode valer a pena. No caso dos remédios de uso pontual, como dipirona, se torna arriscado, porque não há data certa para uso e o produto fica exposto a crianças e animais”, ensina.

Comprar com antecedência não é a única forma de economizar. Além de pesquisar preços e tentar pechinchar, o consumidor pode recorrer a programas de fidelidade. “Também é possível, no caso de medicamentos de uso crônico, o paciente pesquisar se os remédios fazem parte de programas de subsídio do governo federal ou são oferecidos de forma gratuita”, orienta o educador financeiro José Vignolli, do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Na internet, muitos medicamentos são vendidos com preços mais baixos em lojas autorizadas e confiáveis. “Eles vêm diretamente da sede da empresa, e acabam custando menos”, aponta Vignolli. Apostar nos genéricos também continua sendo uma das maiores saídas para economizar.

Anvisa regulamenta lei sobre registro de medicamentos

A Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou uma proposta de iniciativa para regulamentar o processo de classificação das petições de registro e pós-registro de medicamentos em prioritárias ou ordinárias. Com isso, a Agência dá o pontapé inicial para a harmonização das regras da Agência com a Lei nº 13.411, de 28 de dezembro de 2016, que entra em vigor nesta quarta-feira (29/03) e que, entre outras medidas, estabelece novos prazos e processos para o registro de medicamentos.

A proposta de iniciativa, apresentada pelo diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, possibilitará a regulamentação do Art. 17-A, que pela nova lei, em seu § 8º, determina que a Anvisa regulamentará o disposto neste artigo, em especial a especificação dos critérios para o enquadramento nas categorias de prioridade.  Para o diretor-presidente, a Lei 13.411 “desafia nossa Agência a revisar todos os procedimentos no sentido de garantir maior agilidade, sem perda da garantia da qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos em uso no País. Esse é um desafio importante e atualíssimo, posto para todas as agências reguladoras do mundo.”

Priorização

Além disso, foi apresentada e aprovada uma Proposta de Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) para revogação da RDC n° 37, de 16 de junho de 2014, e da Instrução Normativa - IN nº 3, da mesma data, que dispõem, respectivamente, sobre a priorização da análise técnica e sobre a pontuação dos critérios para a priorização da análise técnica de petições de registro, pós-registro e anuência prévia em pesquisa clínica de medicamentos e produtos biológicos.

Apesar da RDC nº 37/2014 e a IN 03/2014 tratarem de requisitos para a priorização de análise técnica na área de registro de medicamentos, tais normas não atendem integralmente ao que determina a nova Lei, pois foram elaboradas muito antes de sua aprovação, sendo, portanto, necessária sua revogação e elaboração de novo regulamento. A revogação também permite uma maior estabilidade e previsibilidade ao processo de construção da nova norma.

Também será editada, ad referendum, RDC para alteração do Art. 4º e do Art. 12 da RDC nº 25, 04 de abril de 2008, que dispõe sobre o procedimento para todo e qualquer recurso administrativo interposto perante a Agência. Esta modificação faz-se necessária apenas para adequar o prazo para interposição de recurso, que passa de 10 (dez) para 30 (trinta) dias, e o prazo para publicação da decisão da Anvisa sobre este recurso, que será de 90 (noventa) dias a contar da data de seu protocolo.

SBP FAZ ALERTA AOS PAIS E RESPONSÁVEIS SOBRE VERDADES E MENTIRAS NA VACINAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCE

Para ajudar no esclarecimento da população sobre os riscos e benefícios da vacina da febre amarela e facilitar aos médicos o acesso a informações objetivas, claras e concisas sobre a doença e uma de suas principais formas de prevenção, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nessa segunda-feira (27) duas sínteses com uma série de informações sobre o tema. Os quadros abordam, inclusive, verdades e mentiras relacionadas a esse tipo de vacinação.  

Trata-se de um alerta que pretende ajudar no esclarecimento das famílias que, muitas vezes, têm dúvidas sobre como agir em caso de vacinação de crianças e adolescentes. O trabalho, baseado no documento Febre Amarela: nota informativa – produzido pelo Departamento Científico de Imunizações da SBP, orienta, em especial, os pais e os responsáveis sobre os cuidados que devem ser tomados com crianças e adolescentes na vacinação contra a febre amarela. “A SBP tem se posicionado em relação a todos os temas que envolvem a saúde da criança e neste momento de surto de febre amarela não poderia deixar de orientar os colegas pediatras, bem como a população de como se proteger frente a este agravo”, observa o dr. Renato Kfouri, presidente o do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

RECOMENDAÇÕES - “Esse é um documento que consolida o máximo de informações possíveis, prático, de fácil leitura e com informação densa”, comenta a dra. Tânia Petraglia, membro do DC de Imunizações da SBP. De acordo com os especialistas, é importante que a população saiba em que circunstâncias não é recomendada tomar uma dose da vacina.

Isso não deve acontecer, por exemplo, quando a criança tiver com menos de seis meses de idade; for portadora de algum quadro de imunodeficiência (primária ou adquirida); esteja sendo submetida a terapias imunossupressoras (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas, etc.), ao ovo e com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timona).

A SBP também chama a atenção para boatos que circulam em redes sociais ou outros meios de divulgação que podem causar sérios problemas. Entre as inverdades, que devem ser esclarecidas e ignoradas pela população, estão fatos como a suposta proteção extra que uma pessoa teria se tomasse duas doses da vacina. “É importante lembrar que idosos, grávidas e mulheres que amamentam precisam de orientação do médico assistente”, reforça a dra. Tânia.

ÁREAS ENDÊMICAS - Além do quadro com estes esclarecimentos gerais, a SBP disponibilizou ainda quadro com recomendações para a vacinação contra febre amarela para moradores de áreas endêmicas ou viajantes. Pelo consolidado, reitera-se que a vacina é indicada para crianças no esquema de duas doses aos 9 meses e aos 4 anos, bem como para aqueles que têm mais de 5 anos e já receberam uma dose antes dessa idade ou nunca foram vacinadas ou ainda não têm comprovantes de imunização.

“A vacina contra a febre amarela, assim como todas as outras vacinas, tem eventos adversos, que em geral são eventos brandos que as mães já estão acostumadas no seu dia a dia com a reação vacinal e que qualquer coisa que fuja do padrão que elas estão habituadas que procurem o atendimento médico. No mais, o que já estamos vendo é uma vacinação tranquila dentro do esperado”, destaca a dra. Tânia.

A tabela oferece ainda um detalhamento sobre o esquema adequado de vacinação para estes perfis. Também traz orientações sobre como a situação de adultos, incluindo idosos, gestantes e lactantes. “Nossa preocupação é contribuir para que os pais tenham tranquilidade para encaminhar seus filhos para vacinação. Não podemos permitir que informações sem comprovação científica, baseadas em suposições, impeçam o acesso da criança e do adolescente a esta importante arma de prevenção. Por outro lado, é preciso impedir que o medo ou a falta de orientação permitam que os responsáveis exponham seus filhos a situações de risco na tentativa de protegê-los”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva.

 

VACINAÇÃO CONTRA FEBRE AMARELA – FIQUE POR DENTRO

SITUAÇÃO

É VERDADE

É MENTIRA

Para evitar a doença é necessário tomar a vacina.

X  A vacina é a única forma de prevenção eficaz contra a febre amarela.

 

Devem tomar a vacina pessoas que vivem em áreas com recomendação, para as que se deslocam para essas áreas (tomar a vacina com 10 dias de antecedência) ou que viajam para países que exigem a vacinação para entrada no país (Regulamento Sanitário Internacional).

X As doses deverão ser tomadas por pessoas que estão com o esquema de vacinação incompleto, ou seja, que não tomaram as duas doses recomendadas pelo Ministério da Saúde. Para adultos que tomaram a primeira dose há menos de 10 anos, também não há necessidade de adiantar a dose de reforço. A população que não vive na área de recomendação ou não vai se dirigir a essas áreas não precisa buscar a vacinação neste momento.

 

A criança a partir dos 6 meses de idade pode tomar a vacina. Abaixo dessa idade não é recomendada.

X  O bebê pode ser vacinado a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área em que há morte de macacos por febre amarela e em áreas em que há casos confirmados de febre amarela silvestre. Mas fora dessas situações, o calendário de vacinações indica a partir de nove meses de idade.

 

Crianças menores de 2 anos não devem receber simultaneamente as vacinas febre amarela e tríplice viral. Deve-se respeitar o intervalo mínimo de 30 dias.

X Sim, pois há interferência na resposta imune. Se a criança tiver alguma dose do Calendário Nacional de Vacinação em atraso, ela pode tomar junto com a febre amarela, com exceção da vacina tríplice viral ou tetra viral. A criança que não recebeu a vacina para febre amarela nem a tríplice viral ou tetra viral e for atualizar a situação vacinal, a orientação é receber a dose de febre amarela e agendar a proteção com a tríplice viral ou tetra viral para 30 dias depois.

 

Mulheres em idade fértil vacinadas devem ser orientadas a não engravidar nos 30 dias seguintes à vacinação.

X Trata-se de uma recomendação por precaução

 

Mulheres que estão amamentando não devem receber a vacina até a criança completar 6 meses de vida.

X. Sim, pois há possibilidade de transmissão do vírus vacinal pelo leite materno. Em caso de extrema necessidade de vacinação da nutriz, a amamentação deve ser suspensa por, no mínimo, 15 dias, sendo o ideal por 28 dias. Nesse período, a ordenha é fundamental para a manutenção do aleitamento materno, porém o leite ordenhado no período pós-vacinação não deve ser oferecido à criança. Recomenda-se que antes da vacinação, sempre que possível, a mulher ordenhe o seu leite e o conserve congelado por até 15 dias, podendo ser oferecido à criança no período em que ela não poderá mamar.

 

A vacina é válida por dez anos e possui 95% de eficácia.

X A vacina que utilizamos é derivada da cepa 17D, composta de vírus vacinal amarílico vivo atenuado, cultivado em ovo de galinha. Trata-se de uma vacina de aplicação subcutânea e segura. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida.

 

A vacina contra febre amarela pode causar efeitos adversos.

X Sim. Dor, eritema, enduração, febre, mialgia, cefaleia. Esses são os eventos adversos mais comuns a essa vacina. Entre as reações menos comuns, estão: hipotensão, choque, manifestações respiratórias e cutâneas, confusão mental, letargia, ataxia, afasia, parasia, sinais meníngeos, Síndrome íctero-hemorrágica são os eventos adversos da vacina da febre amarela.

 

 

 

Há pessoas para quem a vacina é contraindicada.

X Sim. A vacina é contraindicada a pacientes com: imunodeficiência primária ou adquirida; imunossupressão secundária à doença ou terapias imunossupressoras (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas; em uso de medicações antimetabólicas ou medicamentos modificadores do curso da doença; transplantados e com doença oncológica em quimioterapia; que apresentaram reação de hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina; reação alérgica grave ao ovo e com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma).

 

 

O médico pode orientar sobre a suspensão de medicação, em caso de criança que esteja tomando remédios e vá ser vacinada.

X Sim. Cada caso deverá ser analisado pelo médico assistente. Pacientes com doenças crônicas devem ter autorização do médico assistente para liberar a tomar a vacina, justamente por conta do uso de medicamentos que podem deprimir o sistema imunológico e essas pessoas podem ter contraindicação à vacinação.

 

Se a criança tiver alguma reação após tomar a vacina,  é preciso levar ao médico.

X A vacina contra a febre amarela, assim como todas as outras vacinas, tem eventos adversos, que em geral são eventos brandos. É necessário procurar orientação médica, que irá avaliar cada caso de forma individual.

 

Pessoas com Lúpus, doença de Addison, artrite reumatoide, e outras doenças autoimunes relacionadas à tireoide e ao aparelho gastrointestinal, devem ser avaliadas pelo serviço de saúde antes da vacinação.

X É necessário procurar orientação médica, que irá avaliar cada caso de forma individual.

 

É preciso tomar a vacina em jejum

 

X Não há restrição.  A criança pode tomar a vacina em jejum ou após a alimentada.

Calendário de vacinação das crianças sofreu alteração e passou a incluir a vacina de febre amarela

 

X O Brasil já vacina contra a febre amarela há muitos anos. O que mudou foi a recomendação da segunda dose aos 9 meses  e aos 4 anos, mas não mudou por conta do surto e sim pela recomendação feita pela OMS de ser dose única e o Brasil, acertadamente, optar pelo sistema de duas doses. Ou seja, não se faz mais de dez em dez anos, serão duas doses na vida da criança: aos 9 meses e aos 4 anos, a fim de obter uma melhor resposta imunológica.

É preciso vacinar contra a febre amarela a cada 10 anos.

 

X. Não se faz mais de 10 em 10 anos. Serão duas doses na vida da criança: aos 9 meses e aos 4 anos, a fim de obter uma melhor resposta imunológica. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil pelo Ministério da Saúde, é segura e garante proteção durante toda a vida.

Mesmo tendo tomado as duas doses é preciso tomar uma nova dose de reforço.

 

X Não é necessária outra dose de reforço se já tiver tomado as duas recomendadas pelo Ministério da Saúde. A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida.

Quem tomar mais de duas doses da vacina ficará mais protegido.

 

X A estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida.

A febre amarela é uma doença contagiosa e pode passar de uma pessoa para outra.

 

X A febre amarela silvestre é transmitida pela picada de mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus (febre amarela - ciclo silvestre)ou pelo Aedes (febre amarela - ciclo urbano), que também transmite a dengue, zika e chikungunya.O Aedes é capaz de transmitir, com menor competência, a febre amarela de um ser humano para outro. Este ciclo já não ocorre no Brasil desde 1942.

A febre amarela silvestre é transmitida pelo Aedes aegypti.

 

X A febre amarela silvestre é transmitida pela picada de mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus, sendo que esse último pode também transmitir o vírus para sua descendência.

Macacos e outros animais transmitem a febre amarela.

 

X Primatas não humanos, especialmente macacos, são os principais reservatórios do vírus, e são infectados pela picada de mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus. Cabe ressaltar que a única forma de transmissão da doença, seja em humanos ou animais é por meio da picada de mosquito.

Grávidas e mulheres amamentando bebês com menos de 6 meses devem tomar a vacina contra a febre amarela.

 

X Esse grupo, em princípio, NÃO deve tomar a vacina, pois há possibilidade de transmissão do vírus vacinal durante a gravidez e pelo leite materno. Em caso de extrema necessidade de vacinação da nutriz, a amamentação deve ser suspensa por, no mínimo, 15 dias, sendo o ideal por 28 dias. Nesse período, a ordenha é fundamental para a manutenção do aleitamento materno, porém o leite ordenhado no período pós-vacinação não deve ser oferecido à criança. Recomenda-se que antes da vacinação, sempre que possível, a mulher ordenhe seu leite e o conserve congelado por até 15 dias, podendo ser oferecido à criança no período em que ela não poderá mamar. Na gestante deve ser avaliado o risco e o benefício da vacinação.

Idosos acima de 60 anos podem se vacinar.

 

X Apesar de a vacina poder ser aplicada, em teoria, em qualquer idade, em indivíduos com mais de 60 anos, pelo maior risco de eventos adversos graves, especialmente na primovacinação (como a Doença Viscerotrópica aguda pós-vacina), devem ser avaliados individualmente em relação ao risco de aquisição da doença.

Em seis anos, Brasil desativou mais de 10 mil leitos pediátricos do SUS

Mais de 10 mil leitos de internação em pediatria clínica, aqueles destinados a crianças que precisam permanecer num hospital por mais de 24h horas – foram desativados na rede pública de saúde desde 2010. No fim daquele ano, o país dispunha de 48,3 mil deles para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em novembro do ano passado (último dado disponível), no entanto, o número baixou para 38,2 mil – uma queda de aproximadamente cinco leitos por dia. A análise é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que também identificou que 40% dos municípios brasileiros não possuem nenhum leito de internação na especialidade. 

As informações apuradas junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, preocupam os especialistas, mas não surpreendem quem cotidianamente sente na pele os dilemas das limitações do SUS. "A redução do número de leitos tem um impacto direto no atendimento, provocando atrasos no diagnóstico e no início do tratamento de uma população que vem aumentando bastante", critica a presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Luciana Rodrigues Silva. 

De acordo com ela, as doenças que prevalecem em crianças são sazonais e nos primeiros semestres de cada ano, geralmente, acentuam-se as viroses gastrointestinais. Estas, em muitos casos, demandam internações. Além disso, a presidente destaca que casos mais sérios de dengue, que afetam crianças e adolescentes, bem como o aumento na recorrência dos casos de alergias, infecções respiratórias e pneumonia também contribuem para o crescimento da demanda por internações. 

Das 5.570 cidades do Brasil, 2.169 não possuem nenhum leito. Entre as que possuem pelo menos uma unidade de terapia intensiva infantil, um terço tem menos de cinco leitos em todo o território municipal e 66 deles contam com apenas um leito. A título de dimensionamento, vale citar que só a cidade de São Paulo (SP) tem leitos em quantidade equivalente a oferecida atualmente em mais de 780 municípios de pequeno porte. 

ESTADOS E CAPITAIS – Em números absolutos, os estados das regiões Nordeste e Sudeste foram os que mais sofreram redução no período: 4.032 e 3.060 leitos a menos, respectivamente. Em escala, surgem as regiões Sul (-1.873 leitos), Centro-Oeste (-689) e Norte (-428). 

São Paulo foi o estado que mais perdeu leitos de internação infantil entre 2010 e 2016. Neste intervalo de tempo, 1.109 leitos pediátricos foram desativados. Na outra ponta, apenas um estado apresentou número positivo no cálculo final de leitos SUS ativados e desativados nos últimos seis anos: Amapá, que saltou dos 180 leitos pediátricos existentes em 2010 para 230 no fim do ano passado (tabela I). 

Entre as capitais, São Paulo lidera o ranking dos que mais perderam leitos na rede pública (-378), seguidos pelos fortalezenses (-364) e brasilienses (-150). Quatro capitais, apenas, conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda tenha recaído sobre as demais cidades metropolitanas ou interioranas dos estados (tabela II)

Quem conta com um plano de saúde ou procura atendimento em unidades privadas também viu cair em 1.036 o número de leitos no mesmo período. Ao todo, 20 estados perderam leitos pediátricos na rede “não SUS”. Novamente, São Paulo desponta com queda de 586 unidades do tipo. A mesma lógica afetou ainda as capitais, que perderam, ao todo, pouco mais de 400 leitos, metade deles apenas na capital paulista.

TABELA I

TABELA II


SBP faz alerta sobre falta de leitos de UTI para prematuros 

No Brasil nascem 38 prematuros por hora, o equivalente a 912 por dia. Significa dizer que cada uma dessas crianças, ao nascer antes de 37 semanas, muitas vezes não estarão completamente desenvolvidos e, por isso, precisarão permanecer em tratamento intensivo até que esteja forte o suficiente para ir para casa. Dados apurados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revelam, no entanto, faltam pelo menos 3.200 leitos intensivos neonatais em todo o Brasil. 

De acordo com a estimativa do Departamento Científico de Neonatologia da SBP, a proporção ideal de leitos de UTI neonatal é de no mínimo quatro 4 leitos para cada grupo de mil nascidos vivos – parâmetro que deverá ser atualizado pela entidade nos próximos meses. 

Atualmente, no entanto, dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) indicam a existência 8.723 leitos do tipo no País, públicos e privados, que correspondem a 2,9 por mil nascidos vivos. Se considerados apenas os leitos oferecidos no Sistema Único da Saúde (SUS), esta taxa cai para 1,5 leitos/1.000, considerando as 4.518 unidades existentes. 

Para a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues, a necessidade do leito de UTI neonatal varia entre as diferentes regiões em razão do número de nascidos vivos, da qualidade da assistência pré-natal, da frequência de nascimentos prematuros e de baixo peso e também do tempo de permanência sob cuidados intensivos neonatais. Apesar disso, ela acredita que “não há equidade na distribuição e no acesso aos leitos disponíveis, sobretudo no setor público”. 

Entre os estados, o pior resultado apurado pela SBP consta em Roraima, onde os 12 leitos de UTI neonatal disponíveis compõem a taxa de apenas 1,08 leito por mil nascidos vivos.  Na segunda pior posição, o Acre, com 1,12 leito por um milhar, seguido do Piauí, onde o mesmo grupo de recém-nascidos tem 1,20 leito. Na outra ponta, duas únicas unidades da federação atingiram a taxa mínima preconizada pelos pediatras: Rio de Janeiro, com 5,46 leitos por mil nascidos vivos, e Espírito Santo, com taxa de 5 leitos (tabela III).    

TENDÊNCIA – Segundo a avaliação da SBP, é possível verificar ainda uma triste tendência: a mortalidade neonatal (número de óbitos de crianças com menos de 28 dias de idade) por mil nascidos vivos, é inversamente proporcional ao número de leitos disponíveis. “Isso reflete, além da inadequação do quantitativo de leitos, uma precariedade da rede de assistência, especialmente nos estados do Norte e Nordeste brasileiros”, lamenta a presidente da SBP. 

Em 2014, último dado disponível, quase 27 mil recém-nascidos morreram nos primeiros 27 dias de vida. Naquele ano, a taxa nacional de mortalidade neonatal foi de 9 para cada grupo de mil nascidos vivos. As regiões Norte e Nordeste ficaram acima dessa proporção, com 10,4 e 10,3 notificações de óbito, respectivamente. Não por acaso, são também nestas regiões os piores desempenhos na relação leito por nascido vivo: 1,7 no Norte 1,8 no Nordeste (tabela IV). 

Em todo o País, 15 estados apresentam taxa de mortalidade neonatal acima da média nacional. Roraima desponta novamente com o pior resultado: 12,3 casos por mil nascidos vivos. Na sequência aparecem Bahia (12,1) e Pará (11,1). Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se posicionam entre as unidades com as menores taxas de mortalidade neonatal.

TABELA III


 

TABELA IV