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ANS concede portabilidade especial para beneficiários de duas operadoras

Medida permite que clientes realizem a portabilidade, sem cumprir nova carência

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou nesta segunda-feira (22), no Diário Oficial da União, a concessão de portabilidade especial para os clientes das operadoras Santa Casa de Misericórdia de Tupã (registro nº 30.604-5) e Unimed Sul do Pará Cooperativa de Trabalho Médico (registro nº 36.614-5). O prazo para fazer a portabilidade é de 60 dias, contados a partir da data de hoje. Ao final do período, as operadoras terão seus registros na ANS cancelados e suas atividades encerradas.

Os beneficiários das duas empresas – independentemente do tipo de contratação e da data de assinatura do contrato – poderão mudar de operadora sem cumprir novos períodos de carências. Somente os beneficiários que ainda estejam cumprindo carência ou cobertura parcial temporária por doença preexistente, deverão cumprir o período remanesc ente na nova operadora.

Para auxiliar na escolha do plano de saúde, a ANS disponibiliza o
Guia ANS de Planos de Saúde, que aponta ao consumidor os planos disponíveis, de acordo com as características selecionadas pelo beneficiário. Uma vez escolhido o novo plano, basta o beneficiário se dirigir à operadora apresentando os seguintes documentos:

• Identidade;
• CPF;
• Comprovante de residência;
• Cópias de pelo menos três boletos pagos na operadora de origem, referentes ao período dos últimos seis meses.

 

Em caso de dúvidas ou problemas de atendimento, os canais da ANS estão à disposição dos beneficiários para reclamações ou esclarecimentos: Disque ANS 0800 701 9656; Central de Atendimento ao Consumidor no portal da Agência (www.ans.gov.br); Central de atendimento para deficientes auditivos 0800 021 2105; ou pessoalmente, em um dos 12 núcleos localizados em diferentes cidades do Brasil.

Confira a Resolução Operacional (RO) Nº 2.436 – Santa Casa de Miseric órdia de Tupã

Confira a Resolução Operacional (RO) Nº 2.437 – Unimed Sul do Pará Cooperativa de Trabalho Médico

Telemedicina no atendimento de crianças e adolescentes

SBP solicita que MP e CFM tomem providências em relação à oferta de Telemedicina no atendimento de crianças e adolescentes

 

Em virtude das notícias de que hospitais privados e operadoras de planos de saúde estão oferecendo serviços de Telemedicina para crianças e adolescentes, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enviou nesta terça-feira (09) ao Ministério Público de São Paulo e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) ofícios com pedidos de providências para coibir possíveis abuso.

Em ambos os documentos, a SBP reflete sua preocupação com um possível declínio da qualidade no atendimento e solicita que sejam tomadas as medidas cabíveis para preservar os direitos das crianças e dos adolescentes, interrompendo a divulgação e a realização da prática da telemedicina, até que seja publicada a devida regulamentação.

 

CRITÉRIOS - Segundo a presidente da SBP, dra. Luciana Silva, uma das grandes preocupações da entidade ocorre em virtude da possibilidade do uso da tecnologia à distância sem seguir critérios bem definidos e, assim, trazer vícios no atendimento e prejuízos à saúde dos pacientes.

“A SBP não possui posicionamento contrário à Telemedicina, entretanto, não pode ocorrer a utilização indiscriminada e desregulamentada dessa ferramenta por parte de planos de saúde, colocando interesses financeiros e privados a frente dos interesses dos usuários e especialmente das crianças”, explica a presidente. Nos documentos, a SBP ressalta que o atendimento médico deve ser presencial, conforme preconiza o Código de Ética Medica em vigor. A Sociedade destaca que no encontro entre o paciente e o médico há a oportunidade de se fazer a anamnese completa, a realização de exames e o estabelecimento de vínculo entre o especialista e seu paciente.

 

CLIQUE AQUI E CONFIRA O OFÍCIO ENVIADO AO MP NA ÍNTEGRA

 

CLIQUE AQUI E CONFIRA NA ÍNTEGRA O OFÍCIO ENVIADO AO CFM

 

DIAGNÓSTICO - Essa preocupação é ainda maior, na visão da SBP, pois como muitas vezes a criança não sabe relatar o que sente é por meio do toque que o pediatra é capaz de fazer o diagnóstico e prescrever o tratamento. Além disso, trata-se de um profissional que também foca na prevenção e na promoção de hábitos saudáveis, o que exige uma interação direta com pais e responsáveis.

“O pediatra é um médico que, além de tratar de doenças, tem uma ação primordial na orientação de hábitos saudáveis, alimentação, vacinas, atividade física e condução comportamental de crianças, adolescentes, pais e familiares. Sendo assim, haverá muitas perdas em oportunidades de interação e no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento destes pacientes. A consulta pediátrica não pode dispensar de nenhuma forma uma análise completa e exame físico detalhado”, enfatiza a presidente da SBP, dra. Luciana Silva.

 

TELEMEDICINA – Em fevereiro, o CFM revogou a Resolução nº 2.227/2018, que tratava da normatização da prática da telemedicina no País. Isso ocorreu em decorrência do alto número de propostas encaminhadas pelos médicos brasileiros para alteração da norma e o pedido das entidades médicas de mais tempo para analisar o documento.

Com isso, o Conselho receberá até o dia 31 de julho sugestões para a elaboração de nova norma sobre a Telemedicina para que, após essa fase de consulta pública, possa ser elaborada uma norma ética e técnica necessária em relação à utilização da Telemedicina.

SARAMPO: uma doença viral aguda, infectocontagiosa e altamente transmissível

 

- O que é o sarampo?
É uma doença viral aguda, infectocontagiosa, altamente transmissível que pode apresentar complicações, principalmente em crianças e pessoas com imunidade comprometida.

 

- Como se dá o contágio do sarampo?
O contágio do sarampo acontece por meio de secreções respiratórias. Os indivíduos expostos podem adquirir a infecção através de gotículas veiculadas por tosse ou espirro, por via aérea.

 

- Quais são os sintomas da doença?
Os sintomas que antecedem a doença têm geralmente duração de três a cinco dias e caracterizam-se por: febre, mal-estar, coriza, conjuntivite, tosse e falta de apetite. 
Manchas vermelhas na pele iniciam-se na região atrás da orelha, espalhando-se para a face, pescoço, membros superiores, tronco e membros inferiores. A febre persiste com o aparecimento das manchas. 
No terceiro dia, as manchas na pele tendem a diminuir e ir desaparecendo, apresentando também uma descamação fina. A febre também desaparece neste período. Caso a febre persista, este pode ser um sinal de complicação da doença.
As crianças também podem apresentar quadros de diarreia.

 

- Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico (médicos podem diagnosticar) e deve ser confirmado por exames de sangue.

 

- Quais são as complicações?
As complicações mais comuns são: otite média aguda; pneumonia bacteriana; laringite e laringotraqueíte; doenças cardíacas (miocardite, pericardite), entre outras. Há também uma complicação rara, tardia chamada panencefalite esclerosante subaguda, que acontece anos após a doença.

 

- Como é o tratamento?
O tratamento do sarampo é baseado em medicações que apenas amenizam os sintomas da doença. Podem ser utilizados antitérmicos, ser feita a hidratação oral, a terapia nutricional com incentivo ao aleitamento materno (em caso de crianças) e higiene adequada dos olhos, pele e vias aéreas superiores. 
As complicações bacterianas do sarampo devem ser tratadas especificamente, com antibióticos adequados para cada quadro clínico.

 

- Como se prevenir?
A vacina contra o sarampo é eficaz em cerca de 97% dos casos. Deve ser aplicada em duas doses a partir de um ano de vida da criança. Os adultos que não foram vacinados e não tiveram a doença na infância também devem tomar a vacina. Contudo, a vacina é contraindicada para mulheres grávidas e indivíduos imunossuprimidos (com baixa atividade imunidade),
Em caso de dúvidas, consulte sempre um profissional habilitado em sua Unidade Básica de Saúde ou nos postos de vacinação.

 

A Vacina


- Quando a vacina estará disponível nas unidades de saúde?
A vacina tríplice viral está disponível na rotina das unidades de saúde, não sendo necessário aguardar a Campanha para atualizar ou iniciar o esquema de vacinação.

 

-O que é a tríplice viral e quando deve ser tomada?
É a vacina para Sarampo, Caxumba e Rubéola. Deve ser tomada no seguinte esquema:

 

• Para todas as crianças de 12 meses a menores de sete anos (seis anos, 11 meses e 29 dias): devem tomar uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e a segunda dose aos 15 meses (tetra viral);
Pessoas de sete a 29 anos que não foram vacinadas anteriormente: devem receber duas doses da vacina tríplice viral, com o intervalo mínimo de 30 dias entre elas;
Pessoas de 29 até 59 anos de idade completos em 2019 (nascidos a partir de 1960) que não foram vacinados anteriormente: devem receber apenas uma dose da vacina tríplice viral;

 

Lembre-se: pessoas que já tiveram alguma dessas doenças também devem se vacinar, pois a vacina tríplice viral imuniza contra outras doenças.     

                                                                                    

-O que é a tetra viral e quando deve ser tomada?
É a vacina Sarampo, Caxumba, Rubéola + Varicela. Deve ser tomada a partir dos 15 meses de idade, apenas depois de ter recebido previamente uma dose de Tríplice Viral.

 

-Tenho mais de 59 anos, preciso tomar a vacina?
Não.
Apenas pessoas de 12 meses a 29 anos que não foram vacinadas anteriormente, devem receber duas doses da vacina tríplice viral, com o intervalo mínimo de 30 dias entre elas; e
Apenas pessoas de 29 até 59 anos de idade que não foram vacinados anterormente, devem receber apenas uma dose da vacina tríplice viral;

 

- Quem já foi vacinado (a) precisa tomar a vacina novamente?
Caso a pessoa apresente documentação (caderneta ou comprovante de vacinação) com esquema de vacinação de acordo com a idade, não há necessidade de revacinação.

 

- Pessoas entre 1 e 29 anos de idade que não foram vacinadas ou não tomaram as duas doses da vacina precisa tomar a vacina?
Todas as pessoas entre 12 meses e 29 anos de idade devem receber duas doses da vacina tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Se recebeu uma dose em qualquer idade, é necessário, apenas, completar o esquema vacinal.

 

- Pessoas entre 29 e 59 anos que não foram vacinadas ou não tomaram as duas doses da vacina.
As pessoas com idade entre 30 e 59 anos devem receber apenas uma dose da vacina tríplice viral.

 

- Pessoas que não tem certeza se já tomaram a vacina, o que fazer?
Em caso de dúvida é melhor procurar um posto de vacinação. 

 

- Quem já teve a doença em algum momento da vida deve se vacinar?
A vacina protege contra três tipos de doença. Portanto quem não tomou a vacina, mesmo que já teve a doença deve se vacinar.

 

- Há alguma recomendação específica para profissionais da educação e da saúde?
Os profissionais do setor da educação e da saúde (médicos, enfermeiros, dentistas e outros) devem ter registradas duas doses válidas da vacina tríplice viral com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.

 

- Posso engravidar após tomar a vacina?
As mulheres vacinadas deverão evitar a gravidez por pelo menos um mês após a última dose da vacinação.

 

- Qual grupo de pessoas não pode/precisa tomar a vacina?
A vacina tríplice vira não é recomendada para as gestantes, pessoas com doenças relativas à deficiência da imunidade e crianças menores de seis meses. As crianças com idade entre 6 meses a 1 ano deverão ser vacinadas apenas em situações de bloqueio vacinal.

 

- Mulheres grávidas ou amamentando, podem tomar a vacina?
Mulheres que estão grávidas não devem tomar a vacina tríplice viral. Para as que amamentam não há contraindicação da vacina tríplice viral.

 

- Há reações à vacina?
Podem ocorrer reações à vacina, que são: febre, coriza e/ou tosse leve, exantema que pode ocorrer entre o 4º e 12º dia em 20% dos vacinados. 

Vacinação contra gripe ainda não atingiu metade da meta no País

Um mês após o início da campanha, apenas 43,93% dos brasileiros compareceram para tomar a vacina

 

São Paulo, maio de 2019 - Mais da metade da população apta a tomar a vacina contra gripe (influenza) ainda não compareceu aos postos de saúde brasileiros. Um mês após o início da campanha e após o Dia D – data em que todos os postos abrem durante o final de semana exclusivamente para vacinas – apenas 43,93% tomaram suas doses. A meta do Ministério da Saúde é imunizar 58,6 milhões de pessoas que integram os grupos de risco (veja lista abaixo) até o dia 31 de maio.

 

A gripe é coisa séria: afeta de 3 a 5 milhões de pessoas e mata até 650 mil delas todos os anos. Esse número baixo de adesão à vacinação é uma característica que vem sendo observada há algum tempo por conta de uma série de boatos sobre sua eficácia. Um dos mais comuns, é o de que a pessoa vacinada fica gripada após tomar a dose. Na realidade, os pedaços de vírus utilizados na fabricação estão inativados e não conseguem causar nem um espirro. Até quem tem alergia ao ovo, que antes não podia tomar a dose, está liberado em 2019. O único evento adverso pode surgir da picada da agulha, como uma pequena alergia no local.

 

Mas e aquela sua prima que tomou a vacina e ficou gripada? De acordo com a infectologista Flávia Maciel Porto, médica cadastrada na Doctoralia, plataforma líder global em agendamento de consultas presente em 15 países, o tempo para ser imunizado pode ser de até três semanas num período no qual o risco de adquirir uma gripe é bastante alto. Por isso a campanha acontece antes de o frio aparecer de vez no Brasil.

 

"Nessa época do ano inicia-se uma sazonalidade de infecções respiratórias causadas não só pela influenza, então, existe uma coincidência de tomar a vacina e uns dias depois a pessoa pegar outro vírus. Existe a tendência de atribuir isso à vacina, o que é um erro, afinal a vacina não causa gripe, é extremamente segura e não tem contraindicação nenhuma", explica a infectologista.

 

De acordo com os cientistas do Centro de Controle de Doenças, órgão americano que trabalha com a proteção da saúde pública e da população, a aplicação da dose reduz em 65% o risco de morte devido à doença em pessoas saudáveis que tenham entre 6 e 17 anos. No caso de crianças com condições médicas de alto risco, como pneumonia e bronquite, a vacina reduziu o risco de morte em 51%.

 

"O risco da população não se vacinar é termos casos mais graves com o passar dos anos, além da possibilidade de uma epidemia e de maior mortalidade relacionada a infecção por influenza. É necessário pensar que a gripe causa problemas de afastamento do trabalho, algumas pessoas podem desenvolver casos mais graves e mesmo quem está com o quadro imunológico saudável, como a maioria dos jovens, corre o risco, afinal, vimos em 2015 na epidemia de H1N1 muitos adolescentes chegarem a óbito", conta Dra. Flávia.

 

Nesse sentido, a infectologista inclusive recomenda que mesmo que a pessoa não esteja nos grupos de risco do Ministério da Saúde, e tenha condições de tomar a vacina na rede particular, se previna com a dose anual. Na rede privada, o valor da vacina varia entre R$100 e R$200.

 

Em 2019, completam-se 20 anos do início da vacinação contra a gripe no Brasil. Durante essas duas décadas, muita coisa mudou na campanha, a quantidade de pessoas que integram o público-alvo da vacina só cresceu, bem como o número de doses oferecidas e as cepas de vírus utilizadas na fabricação do produto.

 

A principal mudança em relação a 2018 é a ampliação do limite de idade no público infantil. Até o ano passado, o imunizante era aplicado apenas nas crianças de 6 meses a 5 anos incompletos. Agora, aquelas com até 6 anos incompletos podem tomar sua dose nos postos de saúde.

 

Neste ano, até 23 de março, foram registrados 255 casos de influenza em todo o país, com 55 óbitos. Até o momento, o subtipo predominante no país é influenza A H1N1, com 162 casos e 41 óbitos. O estado do Amazonas é o que apresenta a maior circulação do vírus, com 118 casos e 33 mortes. Por isso, o Ministério da Saúde antecipou a campanha de vacinação para o estado, que já está vacinando a população desde o dia 20 de março.

 

Grupos prioritários:

  • Indivíduos com mais de 60 anos
  • Crianças de 6 meses até 6 anos incompletos (5 anos, 11 meses e 29 dias de idade)
  • Gestantes
  • Mulheres que tiveram um filho nos últimos 45 dias (puérperas)
  • Trabalhadores da área da saúde
  • Professores de escolas públicas e privadas
  • Povos indígenas
  • Portadores de doenças crônicas e outras condições clínicas
  • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas
  • População privada de liberdade
  • Funcionários do sistema prisional

Pesquisa aponta que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar

Automedicação ocorre mesmo com medicamentos prescritos. Mais da metade dos entrevistados altera a dose prescrita, revela pesquisa do CFF e Datafolha

 

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha, constatou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses. Quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez por mês, e um quarto (25%) o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana. Inédita na história dos conselhos de Farmácia, a pesquisa investigou o comportamento dos brasileiros em relação à compra e ao uso de medicamentos, e servirá para subsidiar uma campanha nacional de conscientização, em comemoração ao dia 5 de maio, o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos.

 

O estudo detectou ainda uma modalidade diferente de automedicação, a partir de medicamentos prescritos. Nesse caso, a pessoa passou pelo profissional da saúde, tem um diagnóstico, recebeu uma receita, mas não usa o medicamento conforme orientado, alterando a dose receitada. Esse comportamento foi relatado pela maioria dos entrevistados (57%), especialmente homens (60%) e jovens de 16 a 24 anos (69%). A principal alteração na posologia foi a redução da dose de pelo menos um dos medicamentos prescritos (37%). O principal motivo alegado foi a sensação de que "o medicamento fez mal" ou "a doença já estava controlada". Para 17%, o motivo que justificou a atitude foi o custo do medicamento - "ele é muito caro".

 

Também foi observado que 22% dos entrevistados que utilizaram medicamentos nos últimos seis meses tiveram dúvidas, mesmo em relação aos medicamentos prescritos, principalmente no que diz respeito à dose (volume e tempo) e a alguma contraindicação contida na bula. O mais grave é que cerca de um terço dos entrevistados não procurou esclarecer as dúvidas e, desses, a maioria parou de usar o medicamento. Depois do médico, a internet e a bula são as principais fontes de informação para sanar dúvidas relacionadas ao uso de medicamentos. Os farmacêuticos (que prescreveram ou dispensaram o medicamento) foram a quarta fonte mais consultada, tendo sido citados por 6% dos entrevistados.

 

Ainda em relação ao uso de medicamentos sem prescrição, a frequência da automedicação é maior entre o público feminino. Mais da metade das entrevistadas (53%) informou utilizar medicamento por conta própria, pelo menos uma vez ao mês. Os mais conscientes em relação à importância de se orientar com um profissional da saúde antes de usar qualquer medicamento são os moradores da Região Sul, onde 29% dos entrevistados declaram não utilizar medicamentos por conta própria, sem prescrição. A maioria das pessoas entrevistadas afirmou que se automedica quando já usou o mesmo medicamento antes (61%). A facilidade de acesso ao medicamento foi outro fator determinante, principalmente entre o público jovem, de 16 a 24 anos (70%).

 

Familiares, amigos e vizinhos foram citados como os principais influenciadores na escolha dos medicamentos usados sem prescrição nos últimos seis meses (25%), embora 21% dos entrevistados tenham citado as farmácias como a segunda fonte de informação e indicação.

 

Para o presidente do CRF-SP, Dr. Marcos Machado, a pesquisa dimensiona a gravidade de um problema que já era de conhecimento de todos, a automedicação dos brasileiros. "Não é por acaso que os medicamentos surgem como uma das principais causas de intoxicação no país. É uma cultura que necessita mudar. A população precisa ser orientada que medicamento não é um produto qualquer, seu uso implica em riscos à saúde".

 

O presidente do CRF-SP destaca ainda que os medicamentos devem ser utilizados quando necessário, na dose correta, no tempo determinado e, de preferência, sempre prescrito por um profissional de saúde habilitado. "Se o medicamento for isento de prescrição ou se a pessoa tem alguma dúvida sobre o uso de medicamentos, o farmacêutico pode e deve ser consultado. Ele é o profissional de saúde mais acessível à população e tem o conhecimento adequado para orientar sobre o uso correto dos medicamentos".

 

Medicamentos mais usados – Por meio da pesquisa foram identificados, também, os medicamentos mais utilizados pelos brasileiros nos últimos seis meses. É surpreendente o alto índice de utilização de antibióticos (42%), somente superado pelo porcentual declarado para analgésicos e antitérmicos (50%). Em terceiro lugar ficaram os relaxantes musculares (24%). O uso de antibióticos foi maior nas regiões Centro-Oeste e Norte (50%). Os medicamentos utilizados nos últimos seis meses com prescrição, em sua maioria, foram indicados pelos médicos (69%), mas a prescrição farmacêutica, regulada pelo Conselho Federal da Farmácia (CFF) em 2013, pela Resolução CFF n° 586/2013, foi citada por 5% dos entrevistados.

 

Aquisição dos medicamentos - A maioria dos brasileiros (88%) compra os medicamentos que utiliza, sendo que 30% consegue esses produtos na rede pública/SUS. Outras maneiras citadas foram o uso de amostras grátis ou doações. A obtenção de medicamentos na rede pública/SUS é maior entre pessoas com mais de 60 anos (50%) e entre moradores da Região Sul (41%). Com exceção dos medicamentos para diabetes (insulina, hipoglicemiantes orais), é mais comum a compra dos demais.

 

Descarte – A pesquisa apurou também qual é a forma mais usual de descarte dos medicamentos que sobram ou vencem, e 76% dos entrevistados indicaram maneiras incorretas para a destinação final desses resíduos. Pelos resultados da pesquisa, a maioria da população descarta sobras de medicamentos ou medicamentos vencidos no lixo comum. Quase 10% afirmaram que jogam os restos no esgoto doméstico (pias, vasos sanitários e tanque).

 

Metodologia – A pesquisa quantitativa foi realizada com a população brasileira a partir de 16 anos de idade e que utilizou medicamentos nos últimos seis meses. A coleta de dados foi feita pelo Datafolha, entre os dias 13 e 20 de março de 2019. Com uma amostra de 2.311 pessoas, o estudo teve abrangência nacional, incluindo capitais/regiões metropolitanas e cidades do interior, de diferentes portes, em todas as regiões do Brasil. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

 

Campanha – Com o tema 'Saúde não é jogo', a campanha nacional de conscientização pelo uso racional de medicamentos está sendo realizada pelo Conselho Federal de Farmácia e os 27 conselhos regionais vinculados ao Sistema CFF/CRFs, em alusão ao Dia Nacional pelo Uso Racional de Medicamentos, comemorado no dia 5 de maio. Com uma linguagem acessível, a campanha chama a atenção da população para que não se arrisque jogando o jogo da automedicação. A orientação é que ao usar qualquer medicamento, a pessoa consulte sempre um farmacêutico. A veiculação das peças será principalmente por meio da internet/mídias digitais.