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O câncer afeta a nutrição de diferentes formas, tanto a doença, como as abordagens de tratamento, podem m

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Número de pessoas com doenças raras se equivale ao de indivíduos com diabetes no Brasil*

Doença rara só é pouco frequente se contabilizada de forma isolada. Levando-se em conta todas as patologias que recebem essa classificação, o número de brasileiros acometidos soma aproximadamente 13 milhões, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma)—prevalência que praticamente se iguala à do diabetes no país. Isso corresponde a cerca de 3% a 5% dos nascidos vivos, ou seja, 1,3 indivíduos a cada dois mil.

 

Ocorre que muitas dessas desordens são progressivas, degenerativas e sistêmicas, ou seja, afetam múltiplos órgãos. Por isso, quanto antes forem detectadas e tratadas, maiores as chances de barrar sua evolução e preservar a qualidade de vida do portador. Vale destacar que 75% das Doenças Raras se manifestam na infância, sobretudo entre zero e cinco anos, contribuindo para a mortalidade antes dos 18 anos de vida. Em bom português, é motivo suficiente para investir em rastreamento e diagnóstico precoce, além de assegurar o acesso a tratamento adequado.

 

Recursos nacionais

No intuito de padronizar e otimizar a metodologia de atendimento aos pacientes de doenças raras nos estados e municípios, a rede pública de saúde conta, desde 2014, com um protocolo voltado especificamente a essa comunidade, a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, cujos preceitos estão especificados em um documento chamado Diretrizes Para Atenção Integral às Pessoas Com Doenças Raras no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele prevê um fluxograma de atendimento aos pacientes, a instituição de serviços de Atenção Especializada ou de Referência, o Aconselhamento Genético e a implementação de Centros Especializados em Reabilitação.

 

No entanto, há um longo caminho a ser percorrido até que pacientes e familiares possa contar, de fato, com a infraestrutura e os serviços previstos. Por enquanto,são comuns os relatos de falta de atendimento especializado e a dificuldade em manter o tratamento correto, como nos episódios de Minas Gerais, relatados recentemente pela plataforma Muitos Somos Raros, e que ocorrem de forma semelhante em outras regiões do país.

 

Com apenas 6 anos, a menina Letícia, de Recife (PE), vive essa incerteza. Ela sofre de mucopolissacaridose  tipo VI, uma doença progressiva, caracterizada pela deficiência de uma enzima, que provoca inúmeras alterações, como infecções de repetição nas vias aéreas, alterações ósseas, articulares e até cardíacas.

O pai da garota, o gerente financeiro Agadir Faria, conta que ela começou a tomar medicamento em 2014, o que reduziu a evolução da doença a olhos vistos. “Graças a Deus, ela não tem problemas respiratórios, porque iniciou cedo o tratamento. Seus exames cardiológicos, pulmonares, de baço e de fígado estão todos dentro dos parâmetros normais”.

 

Entretanto, com o passar do tempo, o recebimento da droga pelo governo, estabelecida judicialmente, passou a sofrer interrupções: “No início, ela recebia estoque de medicamento para 6 meses. Depois, o abastecimento passou a ser suficiente para apenas 4 meses. Atualmente, dura apenas 13 semanas. “Com a pausa no tratamento, ela perde a vitalidade. Fica mais cansada e indisposta. Sente dores nas articulações e na cabeça e a qualidade do sono piora muito”, lamenta Faria.

 

A presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Carolina Fischinger, ressalta que a extensão das consequências varia de acordo com as características de cada doença. Há situações em que os danos são menores. Mas há aquelas em que o paciente regride no que havia conquistado. Ou então, pior: “Existe doença rara em o portador precisa consumir amido de milho para a produção de energia e, se ficar sem, pode morrer. Trata-se de um produto que se encontra em supermercado, mas, imagina o problema para quem não tem condições financeiras de comprar?”, analisa.

 

Para se ter uma ideia, o tratamento da adolescente Daniela, 19 anos, de São José dos Campos (SP), custa em torno de dois milhões de reais ao ano. Ela é portadora de mucopolissacaridose tipo IV-A, doença que provoca problemas esqueléticos, baixa estatura e disfunção motora. Diagnosticada aos dois anos, ele usa cadeira de rodas, faz fisioterapia e tratamento com enzimas, por infusão intravenosa.

 

Desde o início de 2015, ela recebe o medicamento do governo, via associação de paciente. No entanto, em 2016, chegou a ficar 45 dias sem o remédio. Agora, o problema vem se repetindo e a carência de medicamento se arrasta desde o dia 17 de fevereiro. “Minha filha se sente muito melhor com a reposição de enzima. Inclusive, ganhou alguns centímetros de altura. Sem tratamento, ela começa a se sentir fraca. Já pensou se o Governo demorar a liberar o tratamento? Ela vai perder todas o progresso que obteve”, lamenta a mãe, Débora Custódio Pereira.

 

Além do prejuízo físico, a presidente do Instituto Vidas Raras, Regina Próspero, lembra que é preciso considerar o efeito psicológico da dificuldade de acesso. “Quando os pacientes têm seu tratamento interrompido, podem sofrer sequelas irreversíveis ou, até mesmo, vir a óbito. Portanto, só de considerar essa possibilidade, tanto eles como seus familiares enfrentam momentos de tensão, pânico, desestrutura emocional”, alerta.

 

Caminhos para o acesso

Embora existam medicamentos com eficácia comprovada para desacelerar a progressão de doenças raras e controlar seus sintomas, nem todos estão na lista de remédios oferecidos pelo SUS, a Rename (Relação de Medicamentos Essenciais). No próprio portal do SUS , você encontra a lista de todos os medicamentos de alto custo disponíveis para retirada gratuitamente.

 

Para obtê-los, o paciente deve procurar as unidades de saúde de sua cidade e estado, apresentar receita médica e realizar um cadastro para a emissão do Cartão Nacional de Saúde, que dará acesso a agendamento de consultas e exames e a medicamentos gratuitos. O problema é que, muitas vezes, o paciente não encontra o medicamento que precisa, seja por estar em falta na rede pública ou por se tratar de um remédio que ainda não foi incorporado ao SUS.

 

Nesse caso, uma alternativa é buscar ajuda junto aos órgãos administrativos de controle. O primeiro passo é protocolar requerimento na Secretaria da Saúde (do Estado ou do Município), solicitando, com base em relatório médico, os medicamentos dos quais necessita. Se, mesmo assim, a pessoa encontrar dificuldades no acesso aos medicamentos, poderá apresentar reclamação às ouvidorias do SUS (locais, regionais ou nacional). A ouvidoria do Ministério da Saúde, por exemplo, tem autoridade para acionar os órgãos competentes para a correção dos problemas identificados.

 

Além das ouvidorias do SUS, o usuário poderá contar com o auxílio de assistentes sociais do próprio estabelecimento de saúde em que recebe atendimento. Esses profissionais, muitas vezes, são a chave para a solução de problemas, principalmente nos casos de má comunicação ou desconhecimento dos mecanismos de controle. Ou então, procurar associações de pacientes, Ministério Público e, em último caso, diante da falta de uma solução, entrar com ação na Justiça, solicitando que o governo forneça o medicamento gratuitamente, mesmo que ele não esteja registrado na Anvisa.

 

Incorporação

A introdução, exclusão e alteração de medicamentos e insumos na Rename são realizadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), coordenadas pelo Ministério da Saúde, com a participação de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de entidades e associações médicas, comunidades científicas e hospitais de excelência.

 

A incorporação é feita a partir da análise de eficácia e custo-benefício dos medicamentos e deve ser acompanhada de regras precisas quanto à indicação e forma de uso. Isso permite orientar adequadamente a conduta dos profissionais de saúde, além de garantir a segurança dos pacientes. Para o geneticista Salmo Raskin, do Centro de Aconselhamento e LaboratórioGenetika e membro da SociedadeBrasileira de GenéticaMédica, é necessária uma revisão do processo de aprovação de medicamentos para agilizar o registro das drogas para doenças raras, como determina o artigo 12 da lei nº 6.360, de 1976, 3º parágrafo, que determina que o registro deveria ser concedido no prazo máximo de 90 (noventa) dias, a contar da data de entrega do requerimento.

 

*A plataforma Muitos Somos Raros (MSR) é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), da Tino Comunicação e do Instituto Vidas Raras, atuando como provedora de conteúdo inédito e relevante sobre doenças raras para a sociedade civil, as autoridades em saúde e a grande imprensa (por meio da Agência Muitos Somos Raros). Para reproduzir o conteúdo, chancelado pela SBGM, parcial ou integralmente, basta citar o crédito Agência Muitos Somos Raros.

Estudo revela que um terço das mulheres com câncer de colo de útero tem entre 31 e 40 anos

De cada 10 mulheres com câncer de colo de útero, três estão na faixa etária entre 31 e 40 anos, que está dentro da fase mais produtiva das brasileiras. 43% das vítimas da doença têm entre 41 e 50 anos e 14% entre 51 e 60. É o que mostrou um estuto, realizado por uma grande empresa que oferece serviços para os segmentos de saúde, seguros e benefícios. Foram analisados os perfis de 6.891 beneficiárias da saúde suplementar portadoras da doença, entre os anos de 2014, 2015 e 2016.

 

O câncer de colo de útero é o terceiro tumor mais frequente na população feminina brasileira, atrás do câncer de mama e do colorretal (sem considerar o câncer de pele não Melanoma) e é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. É causado pelo Papilomavírus Humano (HPV) que provoca alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Estas alterações podem ser facilmente descobertas no exame preventivo (o Papanicolau) e são curáveis. O exame custava em 2016, em média, R$ 33,00 por beneficiária. Já o custo médio de internação em decorrência da doença, nos últimos três anos, foi de aproximadamente R$ 8 mil, segundo o estudo. As internações mais longas foram por Neoplasia maligna do corpo do útero, com média de 3,82 dias e a Neoplasia maligna do colo do útero, com média de 3,73 dias.

 

Vacina

Em 2013, ocorreram 5.430 mortes por câncer de colo de útero, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para 2016, a estimativa era de 16.340 novos casos da doença, ainda não oficializados pelo governo. Este ano, a vacina contra HPV passou a ser oferecida, em todo o Brasil, para os meninos entre 12 e 13 anos. A imunização, que já era destinada às meninas entre 9 e 14 anos, pode prevenir os cânceres do colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. Ela protege contra quatro subtipos do vírus (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia para aqueles que tomam corretamente as duas doses. A vacina é potencialmente mais eficaz para adolescentes vacinados antes do seu primeiro contato sexual.

Into inaugura Centro de Atendimento Especializado em Trauma do Esporte

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), unidade do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, inaugurou nesta segunda-feira (06/02) um centro de tratamento focado em atletas e paratletas federados ou vinculados a associações e ONGs que estejam lesionados ou fraturados. É o Centro de Atendimento Especializado em Trauma do Esporte, que reúne a expertise obtida pelo Into na Olimpíada e na Paralimpíada Rio 2016 e conta com o apoio de profissionais do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Paralímpico Brasileiro.

O serviço começa a funcionar de imediato para tratar atletas e paratletas de alto rendimento que necessitem desde cirurgias a reabilitações. Para tanto, profissionais do Into, que não estavam atuando especificamente em grupos de tratamento (como coluna, pé, mão, ombro, joelho, quadril), mas são especializados em Medicina do Esporte, foram reagrupados e organizados no novo Centro de Atendimento Especializado.

As instalações e a aparelhagem já existentes no Instituto serão utilizadas, o que zerou custos de implantação. “Há a preocupação com a inclusão social neste projeto porque há muitos atletas e paratletas brasileiros, federados ou de associações e ONGs, que só conseguem ter acesso a esse tipo de serviço de média e alta complexidade, como o que o Into oferece, pelo SUS”, ressalta o diretor geral do Into, Christiano Cinelli. “Este é um importante legado da Olimpíada e da Paralimpíada, os dois mais importantes eventos esportivos mundiais, que tivemos no Rio”.

O Centro de Atendimento Especializado passa a ser associado à área de ensino, pesquisa e extensão de que o próprio instituto dispõe. O diretor do COB João Grangeiro é o coordenador do novo centro. Rodrigo Goes, do corpo médico do COB, é o subcoordenador.

“A criação do centro vem de encontro a uma necessidade histórica do atendimento aos atletas e paratletas, sobretudo aqueles desconhecidos do grande público. Precisamos, além de prestar um atendimento de alto nível que eles merecem, também formar profissionais que garantirão cada vez mais atenção médica multidisciplinar nos hospitais públicos de nosso país. É o compromisso de legado que o Into está proporcionando àqueles brasileiros e brasileiras que se dão a vida inteira, sempre com o sonho de um dia representarem o nosso país”, afirma Grangeiro.

COMO FUNCIONA - Associações e ONGs poderão encaminhar esportistas por intermédio de convênios, pelo qual o Instituto já recebe paratletas e ajuda a formar atletas paralímpicos.

“Com certeza, quem vier para o Into estará bem amparado. Quando quebrei minha mão, foi um médico daqui que me tratou. A criação deste centro passa uma maior segurança para quem está começando no esporte e não tem recursos para custear alguma cirurgia ou tratamento. Eu tive a sorte de encontrar o médico que me operou numa época em que eu não tinha nem dinheiro para o ônibus”, relembra José Aldo, lutador de MMA, atual campeão linear de UFC, que participou do evento.

O atendimento será 100% SUS, assim como todos os serviços prestados pelo Into. A partir da próxima semana, entidades que ainda não sejam conveniadas poderão procurar o site www.into.saude.gov.br para obter mais informações sobre como seus esportistas podem ser beneficiados.

“É confortante saber que, caso o atleta sofra qualquer tipo de lesão, há um centro de atendimento especializado para atende-lo prontamente. Por isso, vim conhecer esta nova unidade e vou compartilhar com os meus companheiros do esporte. Todos têm de saber que há no país um centro de atendimento deste nível”, reforça Caio Ribeiro, medalhista de bronze na canoagem de velocidade na Paralimpíada Rio 2016.

Atendimento à imprensa
Ascom/MS/RJ

Sociedade Pediatria lança guia para estimular a prevenção ao consumo de álcool precoce entre os adol

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta segunda-feira (6), um documento com uma série de recomendações para o estimulo à prevenção ao consumo de álcool entre os mais jovens. O texto, intitulado Guia Prático de Orientação: Bebidas alcoólicas e prejuízos à saúde da criança e do adolescente, tem como público alvo gestores, médicos, pais e educadores e traz alertas sobre os distúrbios causados pelo consumo precoce de bebidas alcoólicas.

“Este é um fenômeno mundial. As mudanças nas relações sociais, o acesso fácil às bebidas e a fragilidade das políticas públicas que se ocupam da questão constroem o cenário ideal para essas distorções que afetam a vida de milhões de pessoas. São crianças e adolescentes e seus familiares que precisam de toda a ajuda possível. Os pediatras esperam que o tema seja colocado em evidência. No debate, a sociedade poderá encontrar uma ou várias respostas”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva.

O Guia, elaborado pelo Departamento Científico de Adolescência da SBP, será disponibilizado aos médicos e à sociedade. As conclusões serão também encaminhadas aos Ministérios da Saúde, da Justiça, do Desenvolvimento Social, do Esporte e da Educação, na expectativa de estimular a manifestação do Poder Executivo por meio das ações sugeridas. Os deputados e senadores, bem como a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também serão acionados.

A concepção e finalização coube ao grupo formado pela dra Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo (presidente); dra Evelyn Eisenstein (secretária); dra Beatriz Bermudez, dra Elizabeth Cordeiro Fernandes, dr Halley Oliveira, dra Lilian  Day Hagel, dra Patrícia Regina Guimarães e dra Tamara Goldberg (membros do Comitê Científico); e dra Carmen Lúcia de Almeida Santos, dr Darlan Correa Dias,  dr João Paulo Lotufo e dra Monica Borile (colaboradores).

RECOMENDAÇÕES - Entre as recomendações da SBP aos gestores, constam a adoção de medidas para proibir a efetiva venda de qualquer bebida alcoólica, para crianças e adolescentes; a criação de restrições ao marketing das bebidas alcoólica, inclusive da cerveja; a implementação com urgência das políticas de regulação da propaganda, independente das indústrias e pontos comerciais das bebidas alcoólicas; e a proibição ao patrocínio e venda em atividades e eventos culturais, esportivos e artísticos que envolvam a participação de crianças e adolescentes.

Aos médicos, o texto sugere que abordem o tema durante a consulta, introduzindo a questão do uso de quaisquer drogas e álcool na rotina de atendimento às famílias, como uma oportunidade de estimular o diálogo e a orientação sobre a prevenção dos riscos. Também se pede que expliquem aos pacientes e familiares as possíveis consequências do uso e da mistura do teor/quantidade/qualidade das bebidas alcoólicas, além de esclarecer à sociedade sobre os mitos e mensagens distorcidas de marketing, que envolvem o uso das drogas e do álcool em diferentes contextos sociais e sua relação com violência, mortes precoces e doenças.

Já para os pais e educadores é sugerido evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante todo o período da gestação e amamentação; alertar sobre as consequências do uso precoce do álcool e de outras drogas legais e ilegais no corpo humano, especialmente durante as fases de crescimento e desenvolvimento cerebral das crianças e adolescentes; evitar a glamorização das “bebedeiras” nas festas de família e a noção de que “beber cedo é motivo de orgulho” para os pais, que é a distorção do modelo referencial sobre as culturas das famílias.

Esse grupo é ainda chamado a proibir a oferta e o consumo de bebidas alcoólicas em festas de aniversário e outras celebrações que tenham a participação de crianças e adolescentes. A publicação destaca ainda a importância de reforçar o papel dos pais e as regras de convívio familiar.

DIAGNÓSTICO DO PROBLEMA - O álcool é uma substância psicotrópica legalizada e mais utilizada por adolescentes no Brasil e no mundo. O consumo nesse grupo é preocupante, tanto por sua maior tendência à impulsividade quanto pelo prejuízo ao desenvolvimento cerebral, o que causará repercussões na vida adulta. Além disso, a ingestão tende a ocorrer em conjunto com outros fatores danosos para a saúde, como uso de tabaco e de drogas ilícitas, além de comportamentos sexuais de risco.

Os mo­tivos que elevam o uso dessas substâncias são diversos e complexos, segundo os especialistas. Alguns estão relacionados à sensação juvenil de onipotência, por desafio à estrutura familiar e social, à curiosidade e impulsividade; outros pela pressão e necessidade de aceitação pelos pares e busca de novas experiências, ou mesmo por baixa autoestima.

Os adolescentes constituem grupo de risco peculiar em dois aspectos principais: época de início do consumo e a forma como bebem. A precocidade da ingestão é um dos fatores preditores mais relevantes: quanto menor a idade de início, legalizada ou não, maiores as possibilidades de se tornar um usuário contumaz ou dependente ao longo da vida. Ressalte-se que o consumo antes dos 16 anos aumenta significativamente o risco de beber em excesso na idade adulta, em ambos os sexos.

De acordo com estudos internacionais, adolescentes escolares revelam que 39,2% experimentaram álcool pela primeira vez em casa, com familiares, muitos entre 12 a 13 anos. Quanto à forma de beber, 90% do abuso de álcool por adolescentes acontecem de maneira intensa e única, ou seja, pela ingestão de cinco ou mais doses na mesma ocasião. Foi o que mostrou pesquisa realizada nos Estados Unidos.

Quanto ao consumo de drogas, anterior à ingestão de bebidas, outro estudo evidenciou que os jovens apontaram como principal motivação a curiosidade (18,5%), diversão e prazer (15,4%), influência de amigos ou namorado/a (7,7%); ou alívio do estresse diário (6,2%). Por outro lado, 52,3% relataram nunca terem utilizado outras substâncias, além de bebida alcoólica.

Dentre os motivos indicados para a não utilização, os adolescentes apontaram que drogas não são importantes em sua vida (36,9%), o medo das consequências (16,9%), e uma menor parcela (3,1%) atribuiu à influência religiosa ou medo da família descobrir.

SITUAÇÃO NACIONAL - No Brasil, o problema é grave, conforme mostram 28 estudos populacionais realizados na população que está na faixa de 10 a 19 anos. As Pesquisas Nacionais de Saúde do Escolar (PeNSE) apontou consumo de álcool de 27,3%, na edição de 2009, e de 26,1%, em 2012, sendo que cerca de 75% dos adolescentes – de 13 a 15 anos – já haviam experimentado álcool alguma vez. Desse total, 25% haviam relatado uso regular nos 30 dias anteriores à coleta dos dados, inclusive com episódios de embriaguez; e 9% assumiram problemas com a bebida.

Já o 6º Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio das Redes Pública e Privada, registra o fenômeno e detalha sua proporção em diferentes faixas de idade: 15,4% (de 10 a 12 anos); 43,6% (de 13 a15 anos) e 65,3% (de 16 a 18 anos). Neste estudo, realizado em 2010, nas 27 capitais brasileiras, junto a 50.890 estudantes, 60,5% declararam ter consumido álcool, sendo mais de um quinto (21,1%) no mês da pesquisa.

Em 2016, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), que avaliou 74.589 adolescentes em 124 municípios brasileiros, observou prevalência elevada e início precoce do uso do álcool. Cerca de 20% tinham consumido bebidas alcoólicas pelo menos uma vez nos últimos 30 dias e, desses, aproximadamente 66% o fizeram em uma ou duas ocasiões no período.

Entre os usuários, 24,1% beberam pela primeira vez antes de 12 anos de idade. O levantamento indica ainda os tipos de bebidas mais consumidas, segundo os entrevistados: drinques com vodca, rum ou tequila e a cerveja. Outro dado que os estudos revelam é a mudança de preferência por tipo de bebida.

Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas a preferência é pela cerveja (cerca de 50,0%) seguida pelo vinho (cerca de 35,0%), exceto nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde predominam destilados (vodca, rum e tequila). Mesmo no Norte e Nordeste, o uso de drinques à base de destilados ficou em segundo lugar, independentemente do sexo enquanto no Sul, o vinho ficou em terceiro (cerca de 13,0%). Portanto, existe provável mudança para bebidas de alto teor alcoólico entre os adolescentes.

Na visão dos pediatras, uma explicação para essa mudança seria a busca de maior efeito com menores quantidades, principalmente pela maior concentração alcoólica dos destilados, em torno de 40,0%, e o sabor mais atraente que a mistura com refrigerantes, sucos e bebidas lácteas. O Kit da balada (vodka com energético) é amplamente consumido e divulgado como se inofensivo, e muitas vezes se usa álcool adulterado ou caseiro e os jovens de nada sabem.

PROBLEMA MUNDIAL - Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo excessivo de álcool no mundo é responsável por 2,5 milhões de perdas de vida a cada ano, percentual equivalente a 4% da mortalidade mundial. Tal fato demonstra que o álcool está sendo mais letal que a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids) e a tuberculose. A OMS também estima que 76,3 milhões de pessoas possuam diagnóstico de consumo abusivo de álcool.

Na Espanha,  85% dos alunos adolescentes entrevistados já experimentaram um ou vários tipos de bebida alcoólica, conforme revelam estudos locais. No Health Behavior in School-Aged Children (HBSC) participantes com 11 a 15 anos de 41 países e regiões da Europa e América do Norte, indicaram consumo semanal entre nenhum a 59,0%, dependendo do país, sexo e faixa etária.

O uso do álcool nos últimos 30 dias, por adolescentes de países na América Latina foi variável, sendo encontrado na Argentina (25,5%), Uruguai (17,7%) e Peru (17,3%). Todos esses números e percentuais apontam a existência de um problema de saúde pública mundial. As consequências se refletem em outros indicadores.

O consumo abusivo e precoce é um dos responsáveis pelo aumento dos óbitos por causas externas (acidentes e violência) em todo o mundo, principalmente entre adolescentes. Além disso, costuma haver um efeito multiplicador, em que o consumo de uma substância eleva o risco para outras, como o tabagismo. Trata-se de um problema de escala global, com registros em todos os continentes. 

PAPEL DA FAMÍLIA – A falta de diálogo sobre o tema contribui para a incidência do problema. Em muitos lares, tal substância não é vista como fator de risco, mas elemento cultural e agregador, sendo comum que adultos ofereçam vinho diluído com água as crianças.

Os dados revelam ainda que os pais brasileiros não conversam com os filhos sobre o álcool. Quase metade desses pais (48%) considerava o filho muito novo para isso, apesar de a média de idade considerada ideal para a conversa ter sido nove anos. Vinte e dois por cento disseram não saber como conversar, 15% afirmaram confiar nos filhos e 9% alegaram achar estranho ou sentir vergonha de dialogar.

Em situações onde há ausência de limites, descumprimento de regras, carência de hierarquia, de afeto e apoio, existe a fragilização dos adolescentes, que tendem a preencher essas lacunas na convivência com amigos próximos ou novas amizades. O fato de os adolescentes considerarem que 93% dos pais ficariam chateados caso chegassem alcoolizados em casa, enfatiza a família como espaço de proteção.

FATORES DE RISCO - Evidências científicas apontam que as características ou situações que podem elevar a probabilidade ou agravamento à saúde, conhecidos por fatores de risco, no caso de problemas com o álcool, destacam-se: genética, transtornos psiquiátricos, falta de monitoramento dos pais e disponibilidade do álcool. Vale ressaltar que os fatores de risco não são necessariamente iguais para todos, podendo variar conforme a personalidade, a fase do desenvolvimento e o ambiente em que os jovens estão inseridos.

Os efeitos danosos do álcool repercutem na neuroquímica de áreas cerebrais ainda em desenvolvimento, associadas a habilidades cognitivo-comportamentais, resultando em desajuste social e atraso na aquisição de habilidades próprias da adolescência, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria.

O Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA) dos Estados Unidos descreve algumas das graves consequências em crianças e adolescentes. Por exemplo, bebida alcoólica está mais associada à morte do que todas as substâncias psicoativas ilícitas, em conjunto. Os acidentes automobilísticos associados ao álcool são a principal causa de morte em jovens de 16 a 20 anos, mais que o dobro da prevalência entre os maiores de 21 anos.

Além disso, estar alcoolizado aumenta a chance de atividades sexuais sem proteção, de violência sexual, maior exposição às infecções sexualmente transmissíveis e a risco de gravidez. Existe também associação entre uso de álcool, maconha e comportamentos sexuais de risco: início precoce, sem preservativos e exploração sexual comercializada.

Outro problema decorrente é que a dependência de álcool leva a déficit de memória e queda no rendimento escolar, o que pode diminuir a autoestima do jovem e levar ao envolvimento em cadeia com outras substâncias psicoativas, ao invés de motivá-lo a diminuir ou interromper o uso. O uso precoce de bebidas alcoólicas também pode ter consequências duradouras: aqueles que começam antes dos 15 anos têm predisposição quatro vezes maior de desenvolver dependência em comparação aos que fizeram o primeiro uso com 20 anos ou mais.

Cremesp repudia divulgação de dados sigilosos de Marisa Letícia e abre nova sindicância

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informa que instaurou nova sindicância para apurar a divulgação de novos dados sigilosos do diagnóstico da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia, hospitalizada desde o dia 24/1. A sindicância tramita em sigilo processual e, também, investigará supostas ofensas à ex-primeira-dama que teriam sido praticadas por médicos paulistas em redes sociais.
 
O exercício da Medicina deve respeitar e preservar todos os aspectos do doente: físico, emocional e moral, transcendendo tabus, crenças e preconceitos, em nome da fidelidade ao compromisso de tratar e cuidar de todos, sem qualquer distinção. Sob o juramento hipocrático e os princípios fundamentais da Medicina, todo médico deverá “guardar absoluto respeito pelo ser humano e atuar sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade”.
 
Na quinta-feira (26/1), o Cremesp iniciou uma sindicância para apurar se a divulgação de um exame de tomografia de Marisa Letícia teve a participação de médicos ou se era do conhecimento da diretoria técnica ou clínica da instituição responsável pelo atendimento.
 
De acordo com o Código de Ética Médica, é vedado ao médico “permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade”. Também não é permitido “liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa”, esta última em situação de sindicância ou processo ético-profissional. No cenário de doentes "notáveis", a informação para o público deve ocorrer por meio de boletim médico autorizado pelo paciente ou responsável. 
 
Para o Cremesp, o compromisso e a ética ante a saúde de cada um dos cidadãos colocam-se, sem distinções de qualquer natureza, sempre acima de interesses que não sejam fiéis à dignidade inviolável da pessoa doente junto aos seus entes queridos. Por conseguinte, o Cremesp lamenta a divulgação de qualquer exame, dado privativo e ofensas feitas a doentes em redes sociais.
 
CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO
2 de fevereiro de 2017
 
 
Informações à imprensa
Assessoria de Imprensa