São Paulo

Dobra o número de casos de HIV em pessoas acima de 50 anos na última década

22/08/2018 10:34:42

Das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), as provocadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) ainda são as que mais provocam internações na região de Ribeirão Preto/SP, representando mais de 87% do total. Entre 2008 e 2017, foram realizadas 6.324 internações por DSTs no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo 5.531 por HIV.

Os dados são do Boletim Saúde do Ceper/Fundace, baseados nos indicadores do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil). Durante o período analisado, foram internados 3.858 homens (61%) e 2.466 mulheres com DSTs, sendo contabilizados 555 óbitos (65% do público masculino). Somente em 2017, das 37 mortes registradas por doenças sexualmente transmissíveis, 33 foram causadas por doenças relacionadas ao vírus do HIV.

Segundo o Ministério da Saúde, de 4% a 5% da população acima de 65 anos no Brasil são portadores do vírus HIV. O número de casos da doença entre pessoas acima dos 50 anos dobrou na última década, em razão da demora do vírus em se manifestar, de adultos sexualmente mais ativos e, principalmente, da falta de prevenção.

Ribeirão Preto e Serra Azul lideram o ranking das cidades na região com maior número de internações provocadas por doenças sexualmente transmissíveis. A cada 10 mil habitantes, cerca de 6 pessoas são internadas anualmente por DSTs. Outra cidade da região que chama a atenção é Cajuru, com média de 4,8 pessoas (a cada 10 mil habitantes) internadas por DST a cada ano.

Os números são considerados alarmantes por especialistas da área, já que as doenças sexualmente transmissíveis são preveníveis e ainda há muitos jovens, adultos e idosos, de todas as classes sociais e opção sexual, que ignoram o risco e acreditam que jamais serão vítimas de alguma DST.

As internações totalizaram para o SUS da região um valor de R$ 10.810.440,55 entre 2008 e 2017. Os gastos com a doença pelo vírus HIV representaram 96,2% desse valor (cerca de R$10.400.000,00). Os impactos vão além da carga no sistema de saúde e atingem diretamente o desempenho da economia, com afastamentos nos empregos para tratamentos temporários ou permanentes.

As DSTs não são transmitidas exclusivamente pela ação sexual. Há também o contágio por contato com sangue e materiais contaminados, compartilhamento de seringas e agulhas relacionadas com drogas injetáveis, além da transmissão parental, quando a mãe infectada sem tratamento transmite para o bebê durante a gravidez ou o parto.

É consenso na área da saúde de que a informação constante sobre prevenção, o acesso a preservativos, medidas como seringas descartáveis para as populações mais vulneráveis, e atendimento às pessoas reclusas em unidades prisionais são ações positivas que podem ser adotadas ou incentivadas por gestores da administração pública, com o apoio da sociedade civil, para evitar um impacto ainda maior não só para o paciente, o setor, mas a economia como um todo.

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